Iniciação Científica (PIC) e Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), II Encontro Anual de Iniciação Científica da Unespar

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USUÁRIOS NA FILA DE ESPERA PARA CIRURGIA REPERCUSSÕES FÍSICAS, EMOCIONAIS E SOCIOECONÔMICAS.
Giovanna Brichi Pesce

Última alteração: 2016-08-03

Resumo


O procedimento cirúrgico pode ser imprescindível para a recuperação da saúde de um indivíduo. Entretanto, muitas vezes, o acesso à cirurgia pelos cidadãos no Brasil é difícil, devido ao prolongado tempo de espera. Assim, a espera pela cirurgia pode impactar na qualidade de vida dos indivíduos. Diante disso, objetivou-se descrever as repercussões físicas, emocionais e socioeconômicas decorrentes da espera por cirurgia, vivenciadas pelos usuários dos serviços de saúde. Procedimentos metodológicos: Estudo descritivo com abordagem qualitativa, realizado a partir do banco de dados eletrônico “Caixa Preta da Saúde”. Os dados (registros sobre espera por cirurgia) foram coletados no período de março de 2014 a fevereiro de 2015, relacionados aos municípios do Sul do Brasil. Para análise, a Teoria de Intervenção Práxica da Enfermagem em Saúde Coletiva foi utilizada, considerando-se três dimensões da realidade objetiva: dimensão estrutural, particular e singular, a fim de conhecer a situacionalidade dos usuários dos serviços de saúde em espera para cirurgia. Resultados: Foram analisadas 30 denúncias, 26 registravam repercussões físicas decorrentes da espera, com predomínio de dor, dentre outras; 17 apresentavam repercussão emocional, evidenciando-se emoções como a indignação, desespero, negligência e preconceito e oito com repercussões socioeconômicas, onde o indivíduo perdeu a capacidade de trabalhar por limitação física e dores ou perda de bens materiais para arcar com custos para acessar o serviço de saúde privado. Assim, evidenciou-se que a espera pela cirurgia repercutiu de forma negativa na vida dos indivíduos. Na dimensão estrutural, mais investimento em saúde e políticas voltadas para o acesso à cirurgia poderiam minimizar o ônus da espera. Na perspectiva particular, a gestão inadequada dos serviços de saúde e assistência perioperatória são agravantes dessa problemática. Na dimensão singular, os indivíduos em espera de cirurgia apresentam alterações no curso saúde-doença e vulnerabilidades, decorrentes muito mais da determinação social da saúde do que da simples evolução do processo patológico vigente. Conclusão: A prolongada espera por cirurgia é um problema multifatorial, acredita-se que a integralidade do cuidado perioperatório só poderá ser garantida, uma vez que for compreendida e abordada em todas as suas dimensões.

 


Palavras-chave


Serviços de saúde; Cirurgia geral; Enfermagem

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